segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Copacabana

“Copacabana princesinha do mar...” canta os versos de famosa canção!
Mas na verdade Copacabana está mais para Rainha Mãe! É o bairro preferido dos cariocas velhos, ou dos velhos cariocas.
Eu mesma, uma carioca da clara, se pudesse escolher viveria minha velhice em Copacabana.
Pintaria os cabelos de um azul-roxeado (para manter a tradição das ‘velhas cocotas’ do bairro), Marcello vestiria uma sunga moderninha, com um MPsei lá que número no ouvido e sairíamos fazendo caminhada pelo calçadão toda manhã. À tarde eu reclamaria das coisas que ele espalhou, escreveria besteiras no meu blog, falaria no skype com meus filhos, que estariam desbravando o mundo, 3 vezes por semana iria para a academia e nos outros 2 dias iria para a aula de yoga e meditação. Marcello, isso deixo a escolha dele, mais não me surpreenderia se ele fosse tirar uma sonequinha. À noite, nos dividiríamos entre trabalhos e reuniões da Doutrina e as excursões de ‘melhor idade’ para o circuito cult e teatral da cidade. Ôh ... como diz o samba: “sonhar não custa nada, nosso sonho é tão real ...”
Bom, voltemos ao tema principal.
Se a Amazônia é uma perfeita amostra da biodiversidade. Copacabana é uma perfeita amostra da ‘biodiversidade humana’. Como disse uma vez Luciano Huck: - Se Copacabana fosse cercado seria um manicômio, e se fosse coberto seria um circo.
Quando ouvi isso achei que era uma boa definição para o bairro. Por lá encontramos todos os tipos. Os feios, os bonitos, os ricos, os pobres, os heteros, os gays, os pans, os brasileiros, os gringos, os malandros, os trabalhadores, os surfistas, os pregadores evangélicos, os assaltantes e os assaltados. Lá podemos encontrar todas as tribos, tudo isso regado a “eau de toilette xixi de cachorrô", os de madame com sapatinho ou os vira-latas, afinal Copacabana é democrática, pluralizada. Todos vivem e convivem numa harmonia desarmonizada que resiste ao improvável e ao tempo e coloca o nome do bairro em todos os encartes de turismo da cidade maravilhosa.
A diversidade de Copacabana não está só nos tipos, nas raças de cachorros, está também nos sotaques: O nordestino, o carioqueixxs (vale um adendo: tem o sotaque do carioca playboy, do suburbano que foi para zona sul e do carioca mermão das comunidades), o inglês dos gringos, o inglês das meninas e meninos da profissão mais velha do mundo, o inglês dos orientais (tem certeza que eles estão falando inglês?!), e claro o portunhol dos garçons, taxistas e moradores em geral que não acham, tem certeza que sabem “hablar espanhol perfectamente”, todos os sotaques juntos na mesma roda de bate papo.
Entre todos os sotaques um é clássico para mim. É o retrato das areias de Copacabana e a onde eu estiver e alguém gritar:
- Oh Globo! Oh biscoito torrado! Doce e Salgado!
- Mate! Mate! Oh Mate limão! Oh mate geladinho! Quem vai???
Na mesma hora vou-me tele-transportar para a princesinha do mar ....

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